SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO

Queridos e amados filhos! Louvado seja Deus, por tantas graças e tantos dons, dispensados à Sua Igreja – animada, fortalecida e guiada, pelos dons sobrenaturais da fé, da esperança e da caridade (amor). O Espírito do Senhor nos comunicou essa alegria, e nós, membros do Corpo Místico de Cristo partilhamos desta dádiva, e nos comprometemos, auxiliados pela Força do Alto, a seguir firmes, em missão: Somos, portanto, Igreja peregrina em missão!... Que o amor e a alegria do Cristo (vivo) Ressuscitado, seja o bálsamo que nos conforte e nos encoraje, a seguir em frente... Firmes e fortes, sem desanimar! Amém?

Como vemos o testemunho da Igreja Primitiva, nos Atos dos Apóstolos - a Igreja nascida no Cenáculo, com a Virgem Maria – também nós, hoje, somos guiados pelo mesmo Espírito, e fortalecidos pela mesma Graça Primeira; portanto, chamados a viver o Mistério da Comunhão... Sim, como Igreja peregrina, que participa da Unidade do Corpo Místico de Cristo... Os Atos dos Apóstolos narra para nós, a alegria da comunidade dos discípulos: “E a multidão dos que criam tinha um só coração e uma só alma; e nenhum dizia ser sua coisa alguma daquelas que possuía, mas tudo entre eles era comum” (At 4, 32). Eram um só coração e uma só alma. Falo da alegria dos discípulos, pois sei que em seus corações havia o desprendimento de tudo, inclusive o desprendimento de si mesmos!...

E só essa liberdade que vem de dentro – liberdade interior - pode nos fazer plenamente felizes! A felicidade de amar e de se doar - pois ‘ninguém considerava como próprias às coisas que possuía’ - sem reservas, no total abandono e oferecimento de suas vidas... Com insistência, podemos pedir: ensina-nos, Senhor, a partir do testemunho da Igreja nascente, a sermos livres de tudo e de todos, para poder servir a Vós e aos irmãos, sem reserva, segundo a Sua benevolência! Desarma-nos de todo espírito de apego e ambição, porque enquanto olhamos nossas necessidades, girando em torno de nós mesmos, e do nosso ‘ego desregrado’, esquecemos de servir, e não imitamos a Vós, que ao despir-se de toda dignidade, Se fez escravo... 
Não há palavras mais serenas e mais belas, mais simples e mais dignas do verdadeiro adorador e Servo do Deus Vivo, do que aquelas palavras pronunciadas por Aquela que é a mais Santa, a mais Pura, a mais Humilde, a mais Bela e a mais, mais, mais... de todas as mulheres da terra: a Santíssima Virgem Maria: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lc 2, 28). Sim, junto com a Virgem Maria, a Igreja era um só coração e uma só alma, porque estava unida ao verdadeiro Amor, como o ramo está unido a Videira... Amor que Se entregou a Se mesmo, e nos ensinou a fazer o mesmo. Eles eram um só coração, porque os seus corações não eram mais seus, mas estavam mergulhados no único Coração, que lhes podia comunicar força e animá-los; esquecendo-se de si mesmos, ao ponto de dar a vida, se preciso fosse...

E quantos derramaram o seu sangue, por amor a Igreja, por amor a Jesus, fecundando o solo cristão, onde a semente brota, com um novo vigor, com um novo ardor!... Este era o testemunho que a Comunidade Primitiva dava do Ressuscitado: “E os Apóstolos, com grande coragem, davam testemunho da ressurreição de Jesus Cristo nosso Senhor; e era grande em todos eles a graça (de Deus)” (At 4, 33). Nós também, filhos, podemos e devemos nos deixar guiar pelo mesmo Espírito, que acendeu no coração da Igreja Primitiva, o fogo da caridade e da fé... 
Queridos, não podemos esquecer que somos a mesma Igreja, edificada e alicerçada sobre o fundamento apostólico. Então, o que falta a Igreja dos tempos de hoje (modernos), para que seja verdadeira testemunha do ressuscitado? Neste mundo materialista, consumista, e comunista, a linguagem que prevalece é a do ‘poder’ e a do ‘ter’; o “ser’’, enquanto potencial divino é relativizado e desprezado... Perigosamente a Igreja se vê acuada e pressionada, vilipendiada por esses contra-valores – anti-evangélicos. Como um câncer que vai matando e destruindo por dentro, vemos o Bem mais precioso e o Dom mais elevado, ser minado e arrancado dos corações dos filhos de Deus, e na vida do Corpo Místico de Cristo: a fé, a esperança e a caridade...

Como respirar o ar puro da fé, quando os pulmões da Igreja foram comprometidos e contaminados, pelas heresias e pela apostasia do mundo moderno? Como nós, católicos, batizados, podemos enfrentar – já que somos ungidos e selados pelo poder do alto – essa avalanche de erros e de desvios, doutrinais e morais, que tentam suplantar o cristianismo, reduzindo-o a uma ‘vil expressão cultural ’ou ideológica, a ser seguida? Submete-se, hoje, infelizmente, um grande número de cristãos a essa escravidão tirânica, e demoníaca! Estejamos atentos, vigilantes e em oração, como nos pede Jesus, e hoje nos diz São João: “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus, e guardamos os seus mandamentos. Porque o amor de Deus consiste em guardarmos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são custosos” (para os seus filhos). “Porque todo o que nasceu de Deus, vence o mundo; e a vitória que vence o mundo é a nossa fé (viva)” (1 Jo 5, 2-4).

Amados, que a nossa caridade (amor) seja verdadeira, e os frutos do nosso testemunho, edifique a Igreja de Jesus Cristo. E um dos pilares a qual deve ser edificada a nossa fé: a verdadeira caridade! A Verdadeira Caridade, não é um filantropismo maçônico e interesseiro, ou espírita, que buscam poder e glória humana, construindo um ídolo que corresponda a sua soberba auto-suficiência, e as suas paixões mais vis. A caridade também não é uma “pseudo-caridade espírita”, que pensam trocar favores com o “reino da luz”, enquanto serve-se a se mesmos, negando o Mistério Central da fé Cristã: A Paixão e a Ressurreição de Jesus. Portanto, oferta amorosa para nos salvar... Eis o veneno perigoso que pode contaminar nossas almas e nos matar – nos afastando das Verdades Eternas, que pode nos redimir. Sejamos vigilantes e cuidadosos, filhos; sigamos firmes na Verdadeira Doutrina Apostólica, da Verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Não existem meias verdades... A Verdade é Uma e é Eterna! 
No Santo Evangelho de Hoje, nós vimos que os discípulos se alegraram, ao ver Jesus. Não é por menos, pois sua presença os fortalecia, animava, e os confirmava na fé, transmitindo-lhes o dom da paz: “... veio Jesus, e pôs-se no meio deles, e disse-lhes: A paz seja convosco” (Jo 20, 19b). E um pouco mais à frente, no mesmo Evangelho, novamente Ele reforça o dom da paz, com a saudação, que só Ele, o Príncipe da paz pode nos oferecer... E os envia em missão, comunicando-lhes o dom do Alto, o dom do Espírito Santo: “E Ele disse-lhes novamente: A paz seja convosco. Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem o retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 21-23)

A verdadeira paz é o dom do Espírito Santo, e esta paz Jesus comunicou a sua Igreja, através dos Apóstolos, que testemunharam esse Maravilhoso Prodígio: ‘... Soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo’. O Sopro do Espírito Santo sobre a Comunidade Apostólica, é a Nova Criação, que o Dom de Deus vem imprimir, no Coração da Igreja Primitiva. E, ainda hoje, graça a Sua Presença no meio de nós, somos testemunhas das Maravilhas que Deus continua a realizar, na vida do Povo Escolhido. De modo particular, na Sua Igreja, Corpo Místico de Cristo, de uma maneira bem especial, por meio dos Santos Sacramentos...

Glorifiquemos ao Senhor nosso Deus, por tamanha dádiva de amor; agradeçamos a Virgem Santíssima, a Mãe da Misericórdia, que nos oferece o Dom Maior e mais Precioso, Seu único Filho, para que possamos nos Alimentar da Sua Presença, restaurar nossas forças, no combate quotidiano das nossas vidas... Permaneça, conosco, Mãezinha, como permaneceu Seu Filho, com os discípulos de Emaús, naquela caminhada... Hoje, muito mais precisamos de Vós e da Vossa Materna proteção, ‘pois já se faz tarde e o dia já declina’, e a noite paira sobre nós!...

Mas não tememos, ó Mãezinha, pois o Vosso Coração, que é Um com o Coração do Vosso Filho, nos acolhe e nos refugia, da tempestade que assola a humanidade – o pecado. Assim como no tempo de Noé, hoje Vós sois a Grande Arca-Mãe, que nos socorre e nos salva de todo perigo!... Sim, sempre pela Igreja de Jesus! Louvado Seja Deus, pelo Dom do Seu Filho e pela graça do Coração da Sua Mãe e nossa, a Doce e Sempre Virgem Maria!

“O que me levou à Cruz e que me leva a renovar o Sacrifício da Cruz na Santa Missa foi, é e será sempre uma única coisa: O AMOR!...”

“E, diz-me ainda, é ou não a Santa Missa o próprio Sacrifício da Cruz?” (Jesus aos seus sacerdotes e fiéis - Vol 4 pg. 26)

Que repouse sobre os vossos corações, a graça e o amor de Deus, pela interseção da Bem Aventurada e Sempre Virgem Maria, Nossa Senhora de Fátima!

Aos vossos corações, a minha bênção paterna, 
+ Pe. Tarciso

 


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