O HOMEM MAIS EXTRAORDINÁRIO

O HOMEM MAIS EXTRAORDINÁRIO

Tem trinta anos. É um trabalhador robusto, capaz de resistir a noite de vigília e a dias de caminho sob um sol ardente. Seu porte e Seu olhar fascinam. Revela-se ora todo piedade, ora todo indignação. Sua palavra, alternadamente rude e afetuosa, mas sempre potente e leal, denota que Ele penetra os pensamentos e os corações dos que O cercam.

Conhece o trabalho dos homens, porque o exerceu humildemente por longo tempo. É um artesão, cheio de bom senso, que não se contenta com palavras, mas quer atos, quer o que é sólido. Não é um intelectual, pois não frequentou escolas, mas Seus conhecimentos são profundos e extensos, animados por uma viva imaginação: sabe apresentar as cenas da vida cotidiana, as profissões, as festas e as estações do ano.

Compreende, instintivamente, as pessoas, porque Sua viva sensibilidade abre-Lhe o coração às necessidades alheias. Fá-lo, porém, sem nenhuma demagogia. Em tudo, conserva um equilíbrio magnífico.

Não vive como todo o mundo: poder-se-ia até dizer que vive como ninguém. É um Homem diferente. Abandonou Seu trabalho profissional para dedicar-Se a uma missão itinerante. De que vive então? Da hospitalidade de amigos, de dádivas. De resto, Ele não se preocupa com isso. Um regime frugal, na natureza que Ele ama, basta-lhe, sem deixar, porém, em certas ocasiões, de honrar a quem O convida. E propõe a Seus companheiros esta vida rude, despreocupada com o dia de amanhã.

Não é casado, mas não repele as mulheres. Ao contrário, fala-lhes com lealdade e cortesia. Livre de qualquer liame, coloca-Se a disposição de todas para servir, estimular, amar e fazer amar. Os que sofrem na alma ou no corpo, atraem a sua benevolência. Com todos é simples, natural, acolhedor, ao mesmo tempo homem do povo e nobre Senhor.

Não obstante preferir os pobres, não Se liga a nenhuma classe social. Conserva uma soberana independência face aos que, continuamente, O solicitam: família, amigos, adversários, autoridades religiosas e civis, opinião pública. Não faz política e não se embaraça com negócios. Seu empreendimento vai mais longe e mais alto.

Cumpre Sua missão com impressionante autoridade. Aí de quem tentar influenciá-Lo, desviar a linha do Seu destino: reage vivamente. Aliás, jamais consulta alguém sobre o que deve dizer e fazer. Jamais investiga. Jamais volta atrás. Jamais hesita. Calmo, seguro de Si mesmo, domina e constrói Seu destino, Seu próprio drama. Sabe esperar pacientemente, progredir, adaptar-Se, agindo sempre com justiça. Enfrenta lúcida e corajosamente a incompreensão, a inveja, o ódio, no decurso de um combate sem tréguas. Não teme a ninguém. Diz a verdade, quer agrade, quer desagrade. Os hipócritas e os orgulhosos inspiram-Lhe horror. Mas, sabe, também desmanchar habilmente as armadilhas dos Seus inimigos.

Permanece insensível aos entusiasmos irrefletidos dos Seus partidários. Corrige pacientemente os erros dos Seus amigos. Chega até a admirar a fé e a generosidade dos humildes, encoraja a confiança que n'Ele depositam Seus companheiros, mas sem os adular jamais. Prova-lhes a fidelidade, por vezes trata-os rudemente, mas a Sua amizade forte e terna jamais lhes falta. Confia-lhes Seus planos, conta-lhes Seus segredos, associa-os à Sua missão.

Impressiona-os. Intriga-os Sua vida interior, Sua oração. Adivinham n'Ele um mistério, que, aliás, todo o Seu comportamento, pouco a pouco desvenda. Sua personalidade desconcerta-os pela Sua transcendência, pelas Suas exigências.

Possui tanta grandeza que subjuga e intimida, mas sem humilhar. Possui tanto amor que liberta, estimula, une e eleva.

Este retrato é rigorosamente histórico.

Este Homem é autêntico.

Chama-se JESUS.

Autor: Maurice Poix (Bible et Terre Sainte, junho, 1957)


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