GRAÇA E SACRAMENTOS

A alma sem a graça é como um campo árido por causa do contínuo calor das paixões e dos ventos das tentações. Por isso, não dá frutos ou leva tempo para produzi-los. É preciso irrigá-la, pois a água é a graça. É preciso que, assim como ao lado dos canteiros, também corra o rio da graça perto das almas. Ora, esse rio da graça corre continuamente na Igreja desde a morte de Cristo, que nos proporcionou água tão salutar.

Os hortelãos, em cuja horta passa um riacho, abrem canais, fazendo penetrar nela essa água, de tal modo que, levada para os canteiros, sacie a sede de verduras, flores, arbustos e plantas. Do mesmo modo, sabemos que Deus abriu canais por meio dos quais a água da graça pode chegar até nós. Estes são os sacramentos. Quando recebemos os sacramentos, Deus abre esses canais para nós e só exige que abramos nosso coração por meio de disponibilidade convicta, não os obstruindo com o pecado ou com disposições contrárias.

O que se exige de nós, portanto, é a oferta de disponibilidade convicta para não impedir a entrada da graça, mas favorecê-la. Quanto mais abrirmos nosso coração e estivermos preparados, mais copioso será o dom da graça1.

Modo de receber dignamente a Penitência, MS 130-131. É uma instrução catequética feita para os meninos da paróquia de S. Paulo em Campo Márcio por Pe. Gaspar, quando ainda clérigo, em 1798.


 


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