A SANTÍSSIMA EUCARISTIA APROVEITA A OUTRAS PESSOAS ALÉM DAS QUE A RECEBEM

“A Eucaristia não é somente um sacramento, mas também um sacrifício. Enquanto ela significa a paixão de Cristo, pela qual Ele “se entregou a Si mesmo a Deus por nós em oblação” (Ef V, 2), como está na Carta aos Efésios, tem o caráter de sacrifício. No entanto, enquanto na Eucaristia se comunica a graça invisível de modo visível, tem o caráter de sacramento. Assim, portanto, a Eucaristia aproveita a quem a recebe pelo seu duplo caráter de sacramento e de sacrifício, porque é oferecida pelos que a recebem, como se reza no Cânon da Missa: “Quotquot ex hac altaris participatione sacrosanctum Corpus et Sanguinem Filii tui sumpserimus, omni benedictione caelesti et gratia repleamur” (“Todos quantos participarmos deste altar, recebendo o Corpo e o Sangue de vosso Filho, sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do Céu”).

Entretanto, a Eucaristia aproveita àqueles que não a recebem pelo seu caráter de sacrifício, no sentido de que ela é oferecida pela salvação deles. Por isso, também se reza no Cânon da Missa: “Memento, Domine, famulorum famularumque tuarum, pro quibus tibi offerimus, vel qui tibi offerunt, hoc sacrificium laudis, pro se suisque omnibus, pro redemptione animarum suarum, pro spe salutis et incolumitais suae” (“Lembrai-vos, Senhor, de vossos servos e servas, pelos quais vos oferecemos, e eles vos oferecem este sacrifício de louvor por si e por todos os seus, para a redenção de suas almas, pela esperança da sua salvação e segurança”).

O Senhor se refere a ambos os modos ao dizer (Mt XXVI, 28): “Qui pro vobis” (“que por vós”), a saber os que recebem, “et pro multis” (“e por muitos”), isto é os outros, “effundetur in remissionem peccatorum” (“será derramado para remissão dos pecados”) ” (resp.).

“A paixão de Cristo traz proveito a todos para a remissão da culpa, a obtenção da graça e da glória, mas o efeito só é produzido naqueles que se unem à paixão de Cristo pela fé e caridade. Assim também este sacrifício, que é o memorial da paixão do Senhor, só produz efeito naqueles que se unem a este sacramento pela fé e caridade. Daí, o ensinamento de Agostinho: “Quem oferecerá o Corpo de Cristo a não ser por aqueles que são membros de Cristo?” Por isso, no Cânon da Missa, não se reza por aqueles que estão fora da Igreja.

Aproveitam, no entanto, mais ou menos segundo a medida de sua devoção” (ad 1).

“A comunhão pertence à razão do sacramento, mas a oblação à do sacrifício. Por isso, o fato de que um ou muitos recebam o Corpo de Cristo não traz para os outros o aumento de alguma ajuda. De igual modo, pelo fato de o sacerdote consagrar muitas hóstias numa única Missa, não se multiplica o efeito deste sacramento, porque se trata de um único sacrifício. Com efeito, não existe nenhum poder maior em muitas hóstias consagradas do que em uma só, já que sob muitas ou sob uma só está contido Cristo todo inteiro. Portanto, se alguém recebe simultaneamente muitas hóstias consagradas numa única Missa, nem por isso participará de uma maior eficácia do sacramento. A oferta do sacrifício se multiplica, sim, em um número maior de Missas. Por isso, também o efeito do sacrifício e do sacramento” (ad 2).

Santo Tomás de Aquino

(Suma Teológica, III, q.79, a.7)

 


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