A BELEZA DA GRAÇA

“Vivamos uma vida nova” (Rm 6,4). A novidade da vida não é o estado de graça em si tão desejável. Embora a graça de Deus apresente muitas qualidades excelentes, convém agora meditar sobre uma delas, muito especial: a beleza.

“Há uma beleza oculta e secreta, de muito mais valor do que a sensível: a beleza espiritual que somente pode ser contemplada pela mente”1.

Todos, certamente, já a percebemos, porque nosso coração foi atraído por ela, arrebatado e envolvido com enorme força: é ação da beleza da virtude. Demos mais um passo.

A graça é de ordem muito superior à virtude. A virtude – que também atrai muito fortemente o coração – é só uma perfeição natural da alma. A graça é uma qualidade sobrenatural e totalmente celestial.

Se eu dissesse que uma alma em estado de graça possui tão excelsa beleza que muito se aproxima e até se iguala à esplêndida e puríssima beleza própria dos seres espirituais (os anjos), ainda assim diria pouco. Na verdade, a graça é uma participação na própria natureza de Deus. Seria preciso, pois, conhecer a beleza de Deus para se ter a ideia justa da beleza de uma alma em graça.

Estamos falando de realidades sublimes, porque verdadeiramente sublimes são as realidades às quais fomos chamados. E não somente chamados, no sentido de que nos são feitas promessas vindas do alto, mas no sentido de que temos também a posse de dons muito preciosos, conforme o que diz S. Pedro: “foram-nos concedidos os bens prometidos, os maiores e mais valiosos, a fim de que vós vos tornásseis participantes da natureza divina” (2Pd 1,4)2.

Notas

1 São Agostinho, Tractatus in Joannem, III, 21: PL, 35, 1405.

Pregações à juventude, n. 15: a beleza da graça, MS 714-723; PVC, p. 120-123. Esta pregação é de 1º de Janeiro de 1803. Pe. Gaspar Bertoni


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